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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Mára - Meta 1 : Projetos de Aprendizagem: Reflexões Pessoais - Semana 4




“Educar para a autonomia implica fazer um ensino reflexivo que, por sua vez, se baseia numa postura reflexiva do próprio professor”. (ALARCÃO, 1996, pg. 15)

Ser um professor reflexivo é ser um professor que conhece sua prática e que educa o aluno à reflexão, visando sua autonomia. Logo, enquanto professora, preciso estar munida de conhecimento e de reflexão crítica de minha prática para uni-los e realizar um trabalho de humanização, pensando na heterogeneidade de meus alunos.
Assim, através do desenvolvimento da Meta 1, do Projeto de Aprendizagem que se iniciou no mês de abril, no 4º ano do Ensino Fundamental, da EEEF Otaviano Manoel de Oliveira Júnior, tive como objetivo o comprometimento comigo mesma para depois assumir um compromisso com o outro (alunos, pais, colegas, equipe diretiva, professores do PEAD, tutores e colegas de curso).
A expectativa com relação ao envolvimento das crianças ao PA foi um agente de ansiedade, porque havia, em mim, um certo receio de que eles fossem achar muito complicado o refletir no que gostariam de saber ou expor seus questionamentos, afinal, esse espaço que estamos construindo juntos é de reaprender a perguntar, de duvidar, um espaço em que estamos aprendendo a trabalhar em grupo colaborativamente, havendo parceria entre alunos, professores, pais e escola.
Experimentei, o sentimento de incapacidade de desenvolver o PA na integralidade da forma como aprendi no PEAD, porque a escola não dispõe de sala de informática. Porém, em reunião com os pais, tive a grata satisfação de receber apoio e ter disponibilizados, em datas pré-determinadas, celulares, tablets e notebooks, o que permitirá as pesquisas dos grupos via internet (se funcionar), na escola.
Um aspecto que julguei importante no decorrer da Meta1 é que não elaboramos um material específico para os relatos dos grupos a cada momento do PA, como por exemplo, poderia ter fornecido um caderno para anotações individuais sobre suas primeiras ações e descobertas, ou seja, seus relatos e registros sobre as primeiras impressões. Mas, providenciaremos.
Para Fagundes “[…] o aprendiz aqui é entendido como sujeito de aprendizagem, […] que determina caminhos e orienta seu próprio processo de aprendizagem, num processo coletivo e individual (FAGUNDES, 1999, p.13).
Também reputo importante as aprendizagens já percebidas na interação entre os alunos nos grupos, pois está havendo respeito no convívio e aceitação das diferentes formas de pensar dos colegas.
De outra banda, faz-se importante relatar que despertamos a curiosidade de alguns colegas de profissão para saber o que está acontecendo na turma do 4º ano (42), o que estamos fazendo de diferente.
Momento agradável e de grande estímulo, à turma e à professora, foi a visita inesperada da Supervisora Daniela (supervisora escolar), que nos parabenizou pela iniciativa do PA, pelas questões de investigação e pelo empenho e satisfação que percebeu em todos os envolvidos no processo, colocando-se como parceira nesse processo de ensino-aprendizagem.


Referências:

ALARCÃO, Isabel. Ser professor reflexivo. In: ___. (Org.). Formação reflexiva de professores – estratégias de supervisão. Porto, Editora Porto, 1996 (páginas 1-16 da adaptação).

FAGUNDES, Léa da Cruz; SATO, Luciane Sayuri; MAÇADA, Débora Laurino. Aprendizes do futuro: as inovações começaram! São Paulo: Agência Espacial Brasileira, 2006. Disponível em: <https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/1881763/mod_folder/content/0/Aprendizagens%20do%20futuro.pdf?forcedownload=1> Acesso em: 16 abr. 2017.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Mára - Meta 1: A organização de um Projeto de Aprendizagem e as diferenças entre Projeto de Aprendizagem, de Ensino e de Ação - Semana 2



Se temos como objetivo o desenvolvimento integral dos alunos numa realidade plural, é necessário que passemos a considerar as questões e problemas enfrentados pelos homens e mulheres de nosso tempo como objeto de conhecimento. (ARROYO, 1994, p.31).

Na segunda-feira, 03/04/2017, iniciamos a retomada dos Projetos de Aprendizagem, elaborados em 2016/2, articulando com a teoria e passaremos a analisar a organização de um Projeto de Aprendizagem e as diferenças entre Projeto de Aprendizagem, de Ensino e de Ação, como segue:
A Interdisciplina Seminário Integrador – IV (2017/2) nos proporcionou buscar relações entre a investigação e a aprendizagem. Com a metodologia de trabalhar através de Projetos de Aprendizagem ficou evidenciado que o ponto de partida é a pergunta, a qual parte do interesse do aluno. Assim, ficou manifesto que esse tipo de atividade exige mudanças na organização curricular desafiando conhecimentos já construídos, proporcionando espaços onde o aluno passa a ser sujeito, com capacidade de intervir nas transformações sociais e no contexto em que vive.
Então, para o desenvolvimento de um PA, faz-se necessário, em primeiro lugar fazer uma retrospectiva para que as fases que o compõem sejam respeitadas: Fase I – Formação de Equipes de Projeto (Levantar as Questões, Formar Equipes (levantar a questão de investigação);Combinar nas Equipes (definir a questão de investigação)); Fase II:  Inventário do Conhecimento Prévio (Relacionar as certezas e as dúvidas, Certezas Provisórias; Dúvidas Temporárias; Elaborar e publicar um mapa conceitual inicial); Fase III: Plano de Ação (Elaborar um plano de ação, organizando um quadro com a programação das atividades de "esclarecimento das dúvidas" e "validação ou refutação das certezas"); Fase IV:  Desenvolvimento do Projeto (Desenvolver ações para esclarecimento de dúvidas e validação/refutação das certezas; Elaborar um texto apresentando um resumo dos estudos e apresentando respostas para a questão de investigação; Apresentar os Projetos); Fase V: Revisão do Projeto (Avaliação dos comentários e sugestões propostos, buscando aprender com a contribuição dos colegas, ajustando e/ou aprofundando os aspectos indicados pelos revisores).
É de destacar as aprendizagens que ocorreram por conta da investigação e pesquisa durante o processo de construção de Projetos de Aprendizagem, abordado como forma de romper com a prática tradicional de trabalho pedagógico em sala de aula, onde o professor determina e transmite conteúdos e não possibilita ao aluno participar ativamente da construção do seu conhecimento.
No vídeo - Importância de Educar pela Pesquisa, Demo (2005) afirma que a pesquisa é uma bela maneira de formar, de educar.
Um aspecto fundamental que deu início à construção do PA foi a valorização da curiosidade do aluno, incentivando as descobertas através da pesquisa e tornando a aprendizagem significativa, pois parte dos interesses e desejos do aluno e há a possibilidade de construções individuais e coletivas do conhecimento. O aprender a aprender coloca o professor e o aluno como agentes de investigação, para tanto, superam as perguntas com respostas prontas e sugerem a proposição de problematizações para as quais é preciso buscar as possíveis respostas (BEHRENS, 2005).
Houve a compreensão de que, nos Projetos de Aprendizagem, o planejamento é realizado pelos alunos conjuntamente com o professor, ele é mais flexível do que Projetos de Ensino; parte da necessidade dos sujeitos participantes; o professor é o mediador/orientador; a avaliação do processo de aprendizagem é feita de maneira colaborativa, em que o sujeito deve se autocriticar, refletindo sobre a aprendizagem; sua organização é baseada em questões/perguntas/situações-problema e o aluno é participativo e, também, é quem define o problema, buscando soluções e criando mais questões, construindo  e reconstruindo; o aluno é aluno-pesquisador e a base teórica do Projeto de Aprendizagem é construtivista.
            Por outro lado, os Projetos de Ensino apresentam planejamento, metodologia e currículo formulado por uma proposta pedagógica vinda do docente; é baseado na interpretação do que o docente/instituição acredita ser a necessidade do aluno; parte da necessidade/interesse dos conteúdos descritos no currículo; o professor é o direcionador/transmissor; para avaliação importa o resultado: o conceito/nota, não necessariamente a aprendizagem; sua organização é baseada em uma temática/tema-base geral para todos; o aluno é aluno-receptor/paciente aquele que recebe os conhecimentos numa situação de passividade e a base teórica é empirista.
Ainda sobre projetos, entende-se os Projetos de Ação como aqueles que contribuem de forma multidisciplinar, na prática pedagógica, pois determinam que haja um ensino feito coletivamente através de ações ativas e eficazes, capazes de melhorar a qualidade da aprendizagem.
Portanto, o trabalho através de Projetos de Aprendizagens e as experiências advindas dele contribuíram para que, de forma colaborativa, (re)significássemos nossas práticas pedagógicas.
Hernandez (1998) nos propõe uma quebra de paradigmas ao sugerir que para haver mudança na educação tem de haver transgressão. Transgressão essa que implica em mudanças na forma de pensar a educação.
Iniciamos na Interdisciplina Projeto Pedagógico em Ação novos estudos teóricos que, obviamente, propiciarão aprendizagens de aprofundamento aos Projetos de Aprendizagem, de forma coletiva e colaborativa. No momento, a proposta da interdisciplina nos coloca em “xeque”, ou seja, fomos convocadas a mediar e descrever um PA com nossos alunos, mudando de posição discente para docente a partir de nossas experiências como alunas do PEAD. Assim, as aprendizagens já construídas pelos grupos nos Projetos de Aprendizagem, em semestres anteriores, serão de grande valia para esse processo que se inicia, fazendo com que os Projetos de Aprendizagem ganhem um sentido prático, aplicados às turmas e escolas onde atuamos enquanto docentes, buscando, sempre, a autonomia do aluno.
Para Piaget (s/a), um dos principais objetivos da educação é a busca constante da construção da autonomia.  Ele afirma que:

Autonomia é a capacidade de tomar decisões em dois campos. No campo moral, refere-se a decidir entre o que é certo e errado. No campo intelectual, é decidir o que é verdadeiro e o que não é verdadeiro, levando em consideração fatos relevantes, independentemente de recompensa e punição. (Jean Piaget, s/a. s/d)

Logo, as experiências escolares devem ser estruturadas na colaboração, cooperação e intercâmbio de pontos de vista, na caminhada conjunta para o conhecimento.


Referências:

ARROYO, M. Escola Plural. Proposta pedagógica Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte. Belo Horizonte: SMED, 1994.

BEHRENS, M. A. O Paradigma Emergente e a Prática Pedagógica. Petrópolis: Vozes, 2005.

DEMO, Pedro. Educar pela Pesquisa. Campinas/SP: Autores Associados, 2005.

HERNÁNDEZ, Fernando. Transgressão e mudança na educação. Ed. Artmed. 1998. Capítulo 1: Um mapa para iniciar um percurso.

YOUTUBE. Vídeo. Autonomia para Piaget. Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=qxzoPzR5wVI> Acesso em 03 de abr. 2017.

ZABALA, A. Enfoque globalizador e pensamento complexo: uma proposta para o currículo escolar. Porto Alegre: Artes Médicas, 2002.

Quem faz parte dessa jornada de ensino-aprendizagem?

Página de Apresentação




Professoras/Alunas:

·       Eliane Toniolo
·       Mára Moura
·       Mariângela Mastalir
·       Maria Soloí
·       Michelle Toniollo

A metodologia que nós, professores, adotamos com nossos alunos revela a forma como compreendemos, consciente ou inconscientemente, o processo de aprendizagem. E nossas concepções e entendimentos desse processo também determinam diferentes funções e papéis que assumimos em sala de aula.
Assim, a partir de nossa experiência, nossos estudos e discussões e sob a orientação das professoras Aline Hernandez e Liliana Passerino, da Interdisciplina Projeto Pedagógico em Ação, selecionamos como uma proposta metodológica viável para provocar a mudança na escola, os Projetos de Aprendizagem.
Então, criamos este blog-portfólio para explicitar o ensino e aprendizagens construídos a partir dessa experiência.


Mára Moura